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Pausânias / Descrição da Grécia 1.2.2 e 1.2.4

TRADUÇÃO

Os trechos abaixo, retirados do Livro I (Ática), dão uma pequena ideia da composição do texto de Pausânias, de seus múltiplos interesses, de sua cultura e de sua meticulosidade.

A entrada de Atenas

Ao subir do Pireu, vê-se as ruínas das muralhas que Cônon restaurou após a batalha naval de Cnido[1]; as construídas por Temístocles[2] depois da retirada dos Medos[3] foram derrubadas durante o governo daqueles chamados de os Trinta[4]. Há túmulos notáveis pelo caminho: o de Menandro, filho de Opeito, e o cenotáfio de Eurípides. Eurípides está sepultado na Macedônia, lá tendo ido para junto do Rei Arquelau; que o modo de sua morte, que foi contado por muitos, fique de acordo com o que dizem.

1.2.2

Tendo entrado na cidade, há um edifício para a preparação das procissões, que (os atenienses) preparam às vezes todo ano, às vezes com maior intervalo de tempo. Perto há um templo de Deméter, estátuas dela mesma e da filha, e de Íaco[5] portando uma tocha. Está escrito na parede, em letras áticas, que são obra de Praxíteles. Não longe do templo há um Posídon a cavalo, arremessando a lança no gigante Polibotes; sobre isso os habitantes de Cós têm um mito, referente ao promontório de Quelone. A inscrição de nossa época atribui a imagem a outro, e não a Posídon. Dos portões, rumo ao Cerâmico, há estoás[6] e, diante deles, imagens de bronze de homens e mulheres que tiveram algum motivo para a fama.

1.2.4
TEXTO GREGO
a

Notas

  1. Durante a Guerra de Corinto, na Batalha de Cnido (-394), as forças navais atenienses e persas venceram a armada espartana, chefiada por Pisandro, e destruíram a breve supremacia espartana no mar. As forças atenienses foram comandadas por Cônon (-450/-389).
  2. As Muralhas de Temístocles eram fortificações contruídas pelos atenienses entre o Pireu e o núcleo urbano logo depois das guerras médicas, graças aos esforços de Temístocles (-524/-459).
  3. Os gregos muitas vezes se referiam ao persas como “medos”. O confronto mencionado se deu durante as guerras médicas.
  4. Os Trinta (gr. οἱ τριάκοντα) eram os líderes de breve e brutal governo oligárquico de Atenas, instalado após a derrota da pólis na Guerra do Peloponeso (-404).
  5. Íaco (gr. Ἴακχος) é um epíteto de Dioniso, utilizado particularmente nos Mistérios de Elêusis, onde era considerado filho de Zeus e Deméter. Era Dioniso quem levava a tocha durante a procissão que ia de Elêusis a Atenas.
  6. Estoá (gr. στοά) é uma colunata alongada e aberta, às vezes com uma parede em um dos lados e/ou um telhado, situada geralmente em santuários ou mercados para abrigar as pessoas do sol, da chuva e do vento. Além de lugar informal para encontros, servia também para ponto comercial e reuniões de diversos tipos.
    N.b.: a palavra estoá, de origem grega e correspondente à forma latina stoa, não está dicionarizada. Para evitar a mera transcrição, decidi aportuguesar a palavra grega através do mesmo mecanismo linguístico que originou as palavras “estase” — a partir do grego στάσις — e “estoicismo”.

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Artigo nº 0548
publicado em 06/11/2004.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Pausânias / Descrição da Grécia 1.2.2 e 1.2.4. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0548. Consulta: 19/10/2017.
 
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