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Eurípides / Fenícias

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Os Sete contra Tebas

Eurípides apresentou Fenícias (gr. Φοίνισσαι) nas Dionísias Urbanas, entre -411 e -406, provavelmente junto com as tragédias fragmentárias Enômao e Crisipo (CIT). Fenícias tem 1766 versos e é a mais longa tragédia completa de Eurípides.

Bacantes e Fenícias são as únicas tragédias euripidianas inspiradas no Ciclo Tebano que chegaram até nós. Outras tragédias do poeta inspiradas nas lendas tebanas, todas fragmentárias, são Édipo, Antígona, Hipsípile, Cadmo, Antíope e Crisipo. Ressalte-se, no entanto, que Crisipo e Hipsípile tocam alguns dos mitos tebanos de modo tangencial.

Hipótese

Etéocles, rei de Tebas, recusa-se a entregar o cetro ao irmão Polinices, conforme o combinado, e Polinices se prepara para atacar Tebas à frente de um exército argivo. Jocasta consegue fazer os irmãos conversarem, mas em vão. Tirésias prediz que Tebas vencerá somente se Meneceu, filho de Creonte, se sacrificar, e o jovem se mata à revelia do pai. Os tebanos vencem, mas Etéocles e Policinices morrem um nas mãos do outro e Jocasta se suicida. Creonte, agora rei de Tebas, expulsa Édipo e recusa-se a sepultar Polinices. Antígona acompanha o pai no exílio.

O enredo segue, basicamente, o mito tradicional dos Sete heróis contra Tebas, mas com inovações imaginadas por Eurípides.

Dramatis personae
Jocasta viúva de Laio, mãe e esposa de Édipo, mãe de Etéocles, Polinices e Antígona Antígona filha de Édipo e Jocasta, irmã de Etéocles e Polinices Pedagogo servo de Jocasta, preceptor de Antígona Coro jovens mulheres fenícias a caminho de Delfos Polinices filho de Édipo e Jocasta, irmão de Etéocles e Antígona Etéocles filho de Édipo e Jocasta, irmão de Polinices e Antígona Creonte irmão de Jocasta Tirésias adivinho tebano Meneceu filho de Creonte Édipo filho de Laio e Jocasta, marido de Jocasta, ex-rei de Tebas Primeiro Mensageiro Segundo Mensageiro

Figurante: a filha de Tirésias.

Mise en scène

A cena se passa diante do palácio de Tebas, Beócia; no prólogo, o Pedagogo e Antígona conversam em cima do teto do palácio.

Quanto à distribuição dos papéis, há duas possibilidades. Na primeira, o protagonista fazia o papel de Jocasta, de Antígona (menos 1780-82) e de Meneceu; o deuteragonista, o de Etéocles, de Tirésias, dos dois Mensageiros e de Édipo; o tritagonista, o do Pedagogo, de Polinices, de Creonte de Antígona (1270-82).

Na segunda, Jocasta, Antígona e Meneceu foram representados pelo protagonista; Etéocles, Tirésias, Segundo Mensageiro e Édipo, pelo deuteragonista; e o Pedagogo, Polinices, Creonte e Primeiro Mensageiro, pelo tritagonista.

Resumo

A tragédia contém 1766 versos e ocupa cerca de 50 páginas da edição de Craik (1988), na qual se baseia este resumo.

O prólogo (1-201) se divide em duas partes. A primeira (1-87) é um monólogo de Jocasta, que conta à audiência o mito de Édipo e descreve a situação atual; a segunda (88-201), conhecida por teicoscopia[1], é um diálogo lírico entre a jovem Antígone e seu idoso preceptor a respeito dos sete contingentes de guerreiros argivos acampados fora de Tebas. Os sete chefes são sumariamente descritos.

No párodo (202-60), o Coro destaca a ascendência comum a fenícios e tebanos e informa ter interrompido, em Tebas, sua viagem a Delfos devido à guerra.

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Manuscritos, edições e traduções

Juntamente com Orestes e Hécuba, Fenícias compunha a tríade bizantina de tragédias euripidianas selecionadas para estudo nas escolas do século IV. Sua popularidade se reflete na enorme quantidade de manuscritos disponíveis (cerca de 115), ricos em escólios, mas nem todos de boa qualidade; enorme quantidade de papiros com pequenas passagens da tragédia chegaram igualmente até nós.

Os mais antigos manuscritos são o Hierosolymitanus 36 (sæc. X/XI), Jerusalém, Patriarchike Bibliotheke; o Marcianus gr. 471 (sæc. XI), Veneza, Biblioteca Nazionale Marciana; e o Parisinus gr. 2713 (sæc. X/XI), Paris, Bibliothèque Nationale. Dentre os papiros, o mais antigo é o P. Strasb. WG 307 (sæc. -III), da Bibliothèque Nationale et Universitaire de Strasbourg.

A editio princeps é a Aldina (Veneza, 1503). Principais edições modernas da tragédia isolada: Powell (1911), Méridier e Chapouthier (1950), Mastronarde (1988 e 1994).

Traduções para o português: Cândido Lusitano (talvez 1748/1773, ainda inédita), Santos Alves (1975), Schüler (2005).

Influências e reapresentações

Antes da Fenícias euripidiana, Frínico e Ésquilo criaram tragédias baseadas na mesma história do Ciclo Tebano. A de Frínico (Fr. 8-12) era também intitulada Fenícias (-476), e a de Ésquilo, Sete contra Tebas (-467).

A primeira apresentação moderna da peça, com o título Jocasta, ocorreu no natal de 1566, no Hall do Gray's Inn de Londres. O texto inglês de George Gascoigne e Francis Kinwelmersh se baseou na Giocasta (1549), adaptação de Ludovico Dolce (1508/1568) do texto de Eurípides, provavelmente a partir da versão latina[2]. Essa foi a primeira tragédia grega representada na Grã-Bretanha, sob a direção de George Gascoigne.

Outras iluminuras

 
Etéocles e Polinices.
 
Texto moderno com sigma lunado.
Biblioteca pessoal

Notas

  1. A teicoscopia (gr. τειχοσκοπία) é uma das cenas da Ilíada (3.121-244) que, provavelmente, serviu de base a Eurípides (Σ E. Ph. 88).
  2. Diversas passagens são também interpolações de As Fenícias (lat. Phoenissae) de Sêneca (-4/65).

Referências

Elizabeth Craik, Euripides Phoenician Women, Warminster, Aris & Phillips, 1988. Sarah Dewar-Watson, Jocasta: A Tragedie Written in Greeke, International Journal of the Classical Tradition 17.1, 2010, p. 22-32.

Leitura complementar brpt

Donaldo Schüler, Eurípides. As Fenícias. Porto Alegre, L&PM, 2005.

Créditos das ilustrações

i0702Os Sete contra Tebas → Ver comentários.
i1092Etéocles e Polinices → Ver comentários.
i0170Texto moderno com sigma lunado → Ver comentários.

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Artigo nº 0514
iniciado em 10/01/2004. Atualização: 23/05/2014.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Eurípides / Fenícias. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0514. Consulta: 29/03/2017.
 
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