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Templos arcaicos: sæc. -VII

 
Modelo do heraion de Argos

O Período Arcaico notabilizou-se pelas monumentais construções comunitárias de pedra, como os enormes templos dedicados às numerosas divindades do panteão helênico, e pelos primórdios do planejamento urbano.

Entre -750 e -600, enquanto vasos de cerâmica e estatuetas passavam pela fase convencionalmente chamada de “orientalizante”, deu-se a lenta evolução dos pequenos e primitivos templos da Idade das Trevas, construídos com materiais leves e perecíveis (madeira e tijolos de barro), para amplas e perenes estruturas de pedra. Acredita-se, embora com alguma reserva, que os arquitetos arcaicos teriam se inspirado nas monumentais edificações egípcias, conhecidas dos gregos desde o início do século -VII.

O templo dedicado a Hera (heraion) em Argos (c. -700), o segundo templo de Hera em Samos (c. -650), o templo de Apolo em Thermon (c. 640) e o templo de Apolo em Prínias, Creta (-625/-600), ilustram a transição. Muitos elementos arquitetônicos que caracterizariam os templos arcaicos dos séculos seguintes já estavam presentes nessas edificações do século -VII.

Fig. 0006. Heraion. Argos, c. -680.

O heraion argivo (Fig. 0006) parece ter sido um templo característico do final da Idade das Trevas: pequenas dimensões, planta levemente retangular, uma única divisão, pórtico simples com duas colunas. Era muito semelhante às habitações comuns da época e deve ter se inspirado nos templos que o precederam, como o heroon de Lefkandi [Ilum. 0175] e o templo de Apolo Dafnéforo em Erétria [Ilum. 1095].

Fig. 0007. Heraion II. Samos, c. -650.

A planta do segundo heraion de Samos, um hekatompedon[1], assemelha-se bastante à dos templos arcaicos posteriores. O recinto principal, o naos (gr. ναός), era alongado, mas sem pórtico dianteiro ou traseiro; havia suportes para o teto apoiados nas paredes de calcáreo, o que permitia que a estátua cultual fosse vista desde a entrada. Um conjunto de colunas de madeira com base de pedra, o peristilo (gr. περίστυλος), cercava todo o templo; na frente, uma dupla fileira de seis colunas franqueava a entrada. Nada se sabe a respeito da cobertura.

Note-se que a planta do hekatompedon II de Samos é mais parecida com a do templo precedente, da Idade das Trevas — o hekatompedon I [Ilum. 0154] —, do que com a do heraion argivo.

Fig. 0008. Templo C. Thermon, c. -640.

No continente, o templo dedicado a Apolo em Thermon (“templo C”), na Etólia, tinha um naos igualmente alongado, com colunas em seu interior, e era cercado por um peristilo formado por uma única fileira de colunas. Não havia pórtico na entrada, e sim na parte traseira (opistódomo, gr. ὀπισθόδομος). A parte inferior das paredes era de pedra, e o resto, de tijolos; as colunas do peristilo, inicialmente de madeira, foram depois substituídas por colunas de pedra.

Nesse templo, que pôde ser reconstituído de forma mais completa do que os demais [Ilum. 0715], algumas características da futura ordem dórica estavam já presentes. As colunas apoiavam a entablatura, formada por uma arquitrave de madeira que, por sua vez, sustentava um friso primitivo constituído por tríglifos e painéis de terracota pintada (métopas) com cenas mitológicas e, logo acima, um telhado coberto com pesadas telhas. Cabeças de terracota (antefixos) e desenhos geométricos formavam a cornija que decorava a beira do telhado.

Fig. 0009. Templo de Apolo. Prínias, -625/600.

O templo de Prínias, o mais recente da série, se assemelhava ao heraion argivo, mas já era quase totalmente de pedra. Não tinha naos alongado e nem peristilo; a entrada, apoiada possivelmente por duas meias colunas, tinha um pórtico apoiado em três enormes pilares, um deles bem diante da entrada. As paredes do naos eram de pedra e em seu interior havia um local para sacrifícios, flanqueado por duas colunas. Esculturas e relevos de pedra no estilo dedálico típico do século -VII provavelmente decoravam o lintel que ficava acima da porta de entrada. Guerreiros armados sobre cavalos de longas patas formavam um friso de pedra que decorava a parte de baixo das paredes ou a entablatura.

Notas

  1. O hecatompedon (gr. ἑκατόμπεδον) era um templo com 100 pés de extensão (mais ou menos 33 metros).

Créditos das ilustrações

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0006Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., 1997. → / CC BY-NC-ND 4.0.
0007Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., 1997. → / CC BY-NC-ND 4.0.
0008Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., 1997. → / CC BY-NC-ND 4.0.
0009Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., 1997. → / CC BY-NC-ND 4.0.

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Artigo nº 0496
publicado em 30/11/2003. Atualização: 07/11/2004.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Templos arcaicos: sæc. -VII. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0496. Consulta: 26/02/2017.
 
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