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Hipócrates / Do médico

πρὸς δὲ ἰητρὸν οὐ μικρὰ συναλλάγματα τοῖσι νοσοῦσίν ἐστιν· καὶ γὰρ αὐτοὺς ὑποχειρίους ποιέουσι τοῖς ἰητροῖς.
Hp. Medic. I

Não é pequena a intimidade entre o médico e seus pacientes, que se colocam nas mãos de seus médicos.

 
 
Caixa com escalpelos de ferro e ventosas

O tratado hipocrático Περὶ ἰητροῦ, ‘Do Médico’, é pequeno e de estilo claro e didático, dirigido aparentemente a iniciantes. Conforme a tradição dos textos hipocráticos, o autor é desconhecido. O texto foi escrito provavelmente em algum momento da segunda metade do século -IV ou até no princípio do século -III, nas primeiras décadas do Período Helenístico.

Os parágrafos podem ser agrupados em dois temas, que dividem o tratado em duas partes. Na primeira parte, são apresentadas algumas características essenciais ao bom médico; na segunda, o autor ensina como devem ser utilizados vários recursos terapêuticos.

Resumo

O texto é curto e contém somente quatorze parágrafos. Na edição de Potter (1995), que serviu de base para este resumo, ele ocupa 8 páginas.

Descrição dos atributos físicos, hábitos e comportamento desejáveis do médico (I); características e equipamento do consultório médico (II-III).

Orientações para o uso de bandagens (IV), tipos e técnica das incisões cirúrgicas (V) e uso adequado dos instrumentos cirúrgicos (VI); ventosas e sua utilização adequada em cada tipo de lesão (VII); cuidados com as incisões próximas à veia[1] dos braços (VIII); rápida menção a outros instrumentos (IX).

Tipo, comportamento e modos de tratar abscessos e feridas (X-XI); uso dos cataplasmas (XII); referência a tratados para estudantes mais avançados (XIII); orientação para se adquirir experiência no tratamento de ferimentos de guerra e nova referência a outros tratados (XIV).

Manuscritos, edições e traduções

Fontes mais importantes: os manuscritos Marcianus Venetus 269 (sæc. XI), da Biblioteca de São Marcos, em Veneza, e o Holkhamensis 282 (c. 1500), da biblioteca particular do Earl de Leicester, Inglaterra.

Edição princeps: a Aldina, de 1526. As edições modernas mais importantes são as de Littré (1839), Bensel (1922), Fleischer (1939) e Moisan (1993). As mais acessíveis são a de Jones (1923), utilizada aqui, e a de Potter (1995).

A primeira tradução para o português foi efetuada por mim e publicada em 2005.

Notas

  1. Nos Períodos Clássico e Helenístico os gregos ainda usavam φλέψ, ‘veia’, para designar tanto as artérias como as veias. Não recorri à tradução ‘vasos sanguíneos’, termo apropriado a textos bem mais modernos. A palavra grega φλέψ está presente no português, na forma de radical: flebografia, por exemplo, é um exame radiológico efetuado pela injeção de contraste iodado nas veias; flebotomia, uma incisão cirúrgica nas veias.

Referências

P. Potter, Hippocrates, v. 8, Cambridge and London: Harvard University Press, 1995.

Leitura complementar brpt

Wilson A. Ribeiro Jr., Do médico, in Henrique F. Cairus & _________, Textos Hipocráticos: o doente, o médico e a doença. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2005, p. 179-92.

Créditos das ilustrações

i0407Caixa com escalpelos de ferro e ventosas → Ver comentários.

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Artigo nº 0272
publicado em 11/04/2000. Atualização: 11/08/2005.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Hipócrates / Do médico. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0272. Consulta: 23/04/2017.
 
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