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Hinos homéricos / a Afrodite 1-24

TRADUÇÃO

Tradução dos primeiros versos do longo Hino a Afrodite, que mostra o grande poder e também algumas limitações da deusa do amor.

Conta-me, Musa, sobre os feitos da dourada Afrodite, de Cípris[1], que nos deuses o doce desejo despertou e subjugou a raça dos homens mortais, as aves que pairam no céu e todos os numerosos 5 animais que tanto a terra quanto o mar nutrem; todos são afetados pela ações da Citereia[1] de bela coroa, mas há três que ela não pode persuadir nem enganar; à filha de Zeus porta-égide[2], Atena de olhos cintilantes, pois não lhe agradam os feitos da dourada Afrodite, 10 e sim as guerras e o trabalho de Ares, combates e lutas, e também cuida de coisas esplêndidas. Ela primeiro ensinou artífices que vivem sobre a terra a fazer carro〈s e〉 carruagens forjados em bronze, e às donzelas de pele macia, nos santuários, 15 ensinou esplêndidos trabalhos, colocando-os no âmago de cada uma. E nunca a ruidosa Ártemis da flecha de ouro Afrodite que ama o riso ao amor forçará, pois a ela agradam arco e flechas, matar animais nas montanhas, fórminces, coros, urros altos e lancinantes, 20 bosques sombreados e uma pólis de homens justos. Também não agradam os feitos de Afrodite à respeitável donzela, Héstia, a quem primeiro engendrou Crono de turvo pensamento, e também a mais nova, pela vontade de Zeus porta-égide[3], a senhora, cortejada por Posídon e por Apolo.
TEXTO GREGO
a

Notas

  1. Afrodite, assim como outros deuses, era muitas vezes evocada através de epítetos. Uma das versões de seu nascimento conta que ela nasceu perto da ilha de Citera, nas Cíclades; daí o epíteto ‘citereia’ (gr. Κυθέρεια). O culto a Afrodite tinha grande importância na ilha de Chipre e, por isso, a deusa era também chamada de “cíprica”, ou Cípris (gr. Κύπρις).
  2. A égide (gr. αἰγίς) era uma couraça de pele de cabra, com franjas de serpentes e a cabeça de Medusa no centro, usada inicialmente por Zeus (daí o seu epíteto “porta-égide”), que a deu à sua filha Atena. Quando agitada pela deusa, a égide incutia terror no inimigo (Od. 22.296-301) e se tornou, posteriormente, sinônimo de proteção.
    Imagem: Atena com a égide → Iluminura 0472.
  3. Após a titanomaquia, Crono expeliu os filhos que havia devorado na ordem inversa da devoração (Hes. Th. 459-500). Como Héstia foi a última a sair, pode ser considerada a um só tempo filha mais velha e filha mais nova do titã.

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Artigo nº 0263
publicado em 09/04/2000. Atualização: 15/02/2014.
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Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Hinos homéricos / a Afrodite 1-24. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0263. Consulta: 22/03/2017.
 
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