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Coleção hipocrática / De ares, águas e lugares 12 e 16

TRADUÇÃO

Neste trecho, o anônimo autor do tratado De Ares, Águas e Lugares discorre sobre a influência do meio físico na saúde e na doença.

A tradução é do meu amigo Henrique F. Cairus, da UFRJ, que gentilmente autorizou sua reprodução no Portal, baseada em nossa publicação de 2005 (o.c.).

O determinismo geográfico de Hipócrates

XII. [1] Desejo falar agora sobre a Ásia e a Europa, no quanto diferem mutuamente em todos os aspectos, e sobre a compleição dos povos, em que se distinguem, sem que pareçam em nada entre si. O discurso sobre tudo isso seria muito longo, mas falarei sobre o que for mais importante e sobre o que for mais interessante , na medida em que assim me pareceram. [2] Afirmo que a Ásia difere mais da Europa no que concerne às naturezas de todas as coisas que brotam da terra e dos homens. Pois na Ásia, tudo é muito mais belo e maior; essa região é mais dócil e os caracteres dos homens mais amenos e mais afáveis. [3] A causa disso é a mistura das estações, porque (a Ásia) fica em meio aos levantes do Sol, voltada para a aurora, e mais além do frio. E ela apresenta crescimento e docilidade maior em todas as coisas, quando nada for predominante pela violência, mas a igualdade exercer seu poder sobre tudo. [4] Mas, pela extensão da Ásia, não há semelhança em todo lugar; porém, a parte da região que é situada entre o calor e o frio produz excelentes frutos e excelentes árvores, excelente clima e fazem uso das mais belas águas, tanto das que vêm do céu, quanto das que saem da terra. Pois nem se queima muito sob o calor, nem se desseca muito sob a seca e falta de água, nem se agride com o frio, nem é austral ou alagada por chuvas abundantes e pela neve. [5] As plantas sazonais nascem abundantemente lá, as provenientes de sementes e as que a própria terra oferece, cujos frutos são aproveitados pelos homens que os docilizam, tirando-os dos lugares selvagens, e transplantando-os em lugares convenientes. Os animais criados ali normalmente são prósperos e dão crias com muita frequência e são melhores para cuidar de suas crias. Quanto aos homens, é normal que eles sejam bem nutridos e de excelente aspecto físico, maiores na estatura e menos diferentes entre si, tanto em relação ao aspecto físico e à estatura. [6] É normal que essa região esteja muito próxima da primavera, conforme a natureza e a moderação das estações. A virilidade, a vivacidade, o gosto pelo esforço e o caráter resoluto não seria possível que estivessem contidos em tal natureza (...).

(...)

XVI. [1] Quanto à falta de ânimo dos homens e à sua falta de coragem — porque os asiáticos são mais inaptos para a guerra do que os europeus, e são mais dóceis em relação ao caráter — as estações são a principal causa, não produzindo grandes mudanças nem para o calor, nem para frio, mas essas condições são próximas umas das outras. [2] De fato, não ocorrem choques no espírito, nem fortes modificações no corpo. Daí ser normal que exacerbem sua ira e participem mais da irreflexão e do ímpeto do que se vivessem sempre nas mesmas condições. Pois as mudanças de todas as coisas são as que sempre despertam o espírito dos homens, sem permitir-lhes o repouso.

TEXTO GREGO
a

Referências

Henrique F. Cairus, Ares, águas e lugares, in _______ & Wilson A. Ribeiro Jr., Textos hipocráticos: o doente, o médico e a doença, Rio de Janeiro, Fiocruz, 2005, p. 91-129.

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Artigo nº 0246
publicado em 17/02/2000.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Coleção hipocrática / De ares, águas e lugares 12 e 16. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0246. Consulta: 28/05/2017.
 
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