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Ártemis

Ἄρτεμιν ἀείδω χρυσηλάκατον, κελαδεινήν,
παρθένον αἰδοίην, ἐλαφηβόλον, ἰοχέαιραν,
αὐτοκασιγνήτην χρυσαόρου Ἀπόλλωνος,
h. Hom. 27.1-3

Eu canto Ártemis das flechas de ouro, a ruidosa,
virgem veneranda, abatedora de corças, a arqueira,
a própria irmã de Apolo da espada de ouro.

 
 
Ártemis, Apolo, nióbidas, Héracles e guerreiros

Artemis (gr. Ἄρτεμις) é, de certa forma, a versão feminina de Apolo, seu irmão gêmeo. Apesar de ser primariamente uma deusa da caça e da vida selvagem, era também associada ao parto e à lua, coisas ligadas respectivamente a rituais de fertilidade e à magia.

Ártemis é citada nas tabuinhas micênicas em linear B (Pilos, sæc. -XIII) e, com o tempo, incorporou os atributos de diversas divindades muito antigas, provavelmente pré-helênicas, como Selene, a deusa da lua, Hécate, Ilítia e Ortia, uma deusa do nascimento cultuada na Lacônia. Por ser também uma deusa da caça, é possível até que tenha sido adorada nessa forma durante o Paleolítico, época em que a caça estave no apogeu.

As relações com a deusa-mãe da Ásia Menor, “senhora dos animais”, e com as deusas minoicas são evidentes e igualmente muito antigas. Sua helenização, portanto, não foi completa — na Ilíada, por exemplo, Homero se refere a ela como senhora dos animais (Il. 21.470). É interessante notar que mais tarde, durante o Período Arcaico, o culto à deusa Cibele (uma “senhora dos animais” de origem puramente anatólica) se tornou muito popular em toda a Grécia, paralelamente ao culto de Ártemis.

Para os gregos, Ártemis era filha de Zeus e de Letó, filha do titã Ceos, e o primeiro mito de que participou foi o do próprio nascimento, pois ajudou o parto de Apolo assim que saiu do útero de Letó.

A virgem caçadora

Ártemis usava o arco tão bem quanto Apolo e era capaz de provocar, com suas flechas, a morte súbita nas mulheres. Eternamente virgem, seu único prazer era a caça; vivia sozinha nos bosques com as ninfas e os animais selvagens.

Na maioria das lendas de que participa, como por exemplo a de Níobe, a do javali de Cálidon e a de Ifigênia, aparece como uma deusa suscetível e vingativa. Preservava também ciosamente sua intimidade e a castidade das ninfas que a seguiam, como fica evidente pelas lendas de Órion, Calisto e Actéon.

Calisto (gr. Καλλιστώ) era uma ninfa que acompanhava a deusa pelos bosques e por quem Zeus se apaixonara. Como ela fugia de todos os homens, a exemplo de Ártemis, Zeus se aproximou dela na forma da própria Ártemis, e conseguiu seduzí-la. Quando a deusa percebeu a gravidez de Calisto, expulsou-a de sua companhia e, mais tarde, transformou-a em ursa.

Actéon (gr. Ἀκταίων) era filho de Aristeu e de Autônoe e, portanto, neto de Apolo e sobrinho-neto de Ártemis. Ao caçar na floresta, Actéon viu acidentalmente Ártemis em seu banho. A deusa o transformou imediatamente em veado e atiçou seus próprios cães contra ele. Os animais, incapazes de reconhecer o dono, atacaram e devoraram o azarado caçador.

Representações e culto

Nas representações arcaicas e clássicas, Ártemis era uma moça bela e severa, em trajes de caça, armada de arco e flecha e muitas vezes acompanhada de animais (uma corça, habitualmente).

Embora fosse cultuada em toda a Grécia, seus santuários mais importantes ficavam em Brauron (Ática), Esparta, Perga e Éfeso, onde o templo a ela dedicado foi considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo[1].

Outras iluminuras

 
Vaso François.
Florença, Museu Arqueológico Nacional
 
Apolo e Ártemis enfrentam os gigantes.
Museu Arqueológico de Delfos
 
Diana de Versalhes.
 
Morte de Acteon.
 
A Ártemis de Éfeso.
Selçuk, Museu Arqueológico de Éfeso
 
Diana e Calisto.
 
O relevo dos deuses, de Brauron.
Museu Arqueológico de Brauron
 
Templo de Ártemis em Éfeso.
In situ
 
Santuário de Ártemis Brauroniana.
In situ
 
A deusa Diana.

Notas

  1. As Sete Maravilhas do Mundo Antigo eram monumentos criados na Antiguidade que suscitavam a admiração de todos; as mais antigas referências que chegaram até nós são, aparentemente, as de Fílon de Bizâncio (-280/-220) e de Antípatro de Sidon (c. -140). Há diversas listas mas, de acordo com as tradições mais difundidas, as “sete maravilhas” eram as seguintes: as pirâmides do Egito (c. -2575/-2465); os jardins suspensos da Babilônia (sæc. -VIII/-VI); a estátua de Zeus em Olímpia (c. -430); o templo de Ártemis em Éfeso (sæc. -VII/-IV); o mausoléu de Halicarnasso (c. -353/-351); o colosso de Rodes (c. -292/-280); o farol de Alexandria (c. -280). Somente as pirâmides do Egito ainda podem ser vistas nos dias de hoje. Mais informações → Seven Wonders of the WorldAs Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

Créditos das ilustrações

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i0707Diana e Calisto → Ver comentários.
i1017O relevo dos deuses, de Brauron → Ver comentários.
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i1089Santuário de Ártemis Brauroniana → Ver comentários.
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Artigo nº 0183
publicado em 28/06/1999.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Ártemis. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0183. Consulta: 22/09/2017.
 
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