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Culturas neolíticas

Breve panorama do desenvolvimento das culturas humanas durante o Neolítico, a Idade da Pedra Polida, e o Calcolítico.
 
 
Crescente fértil

O Neolítico coincidiu com o advento da agricultura e da domesticação de animais, as primeiras intervenções diretas realizadas pelo homem no mundo natural.

A revolução neolítica[1] ocorreu pela primeira vez entre -9000 e -7000 em certos lugares privilegiados da Sírio-Palestina, do sul da Anatólia e do norte da Mesopotâmia. Nessas áreas nucleares, onde as espécies mais relevantes de vegetais (trigo, cevada) e animais (ovelha, cabra, vaca, porco) ocorriam em estado selvagem, surgiram as primeiras comunidades produtoras de alimentos.

As consequências mais imediatas do domínio de fontes renováveis de alimentos foram, para o homem, uma progressiva sedentarização, a primeira explosão demográfica da história humana e a consequente difusão das comunidades neolíticas bem sucedidas para todos os territórios favoráveis à agricultura e criação de animais. A partir das áreas nucleares da Ásia Ocidental o novo modo de vida espalhou-se para todas as direções e chegou à península balcânica por volta de -6500.

Outra consequência direta da revolução neolítica foi uma revolução científica e social. Além dos conhecimentos práticos referentes a tipos de solo, plantas adequadas e épocas de cultivo, foram desenvolvidas invenções importantíssimas e práticas como a cerâmica, a foice, o arado, a roda, o barco a vela, a tecelagem e a cerveja .

Os membros da aldeia neolítica certamente trabalhavam de forma cooperativa e no interesse da coletividade, mas não é possível sabermos com certeza se já existia alguma forma incipiente de organização social ou poder político para coordenar as atividades de interesse coletivo.

Cada família e cada aldeia neolítica era certamente auto-suficiente em suas necessidades básicas. A desigual distribuição das matérias-primas na natureza e a diferente qualidade dos produtos artesanais (cerâmica decorada, enfeites, etc.), porém, estimulou intensas trocas entre as diversas comunidades. A lei da oferta e da procura, que já existia na época do Paleolítico, certamente atuou durante o Neolítico. Além de estimular o aparecimento dos primeiros "especialistas" e criar alguma diferenciação social, tornou algumas aldeias neolíticas bastante prósperas.

A domesticação dos animais.

As comunidades neolíticas são reconhecidas pelas evidências arqueológicas de habitat permanente, agricultura, domesticação de vários tipos de animais, pelo uso de utensílios de pedra polida, pelos vasos de cerâmica para armazenar alimentos, pela tecelagem e, frequentemente, pelas estatuetas femininas de barro. A expressão artística limitava-se habitualmente à decoração dos vasos de cerâmica e a algumas poucas esculturas. Variações na forma das ferramentas, na decoração da cerâmica e na arte diferenciavam as diversas culturas neolíticas entre si.

Assim como as comunidades paleolíticas, os povos neolíticos seguramente tinham um coerente sistema de crenças, supertições e rituais para agradar e tornar favoráveis as desconhecidas e poderosas forças da natureza. Acreditavam, certamente, que isso constituía a diferença entre a fome e a abundância, a vida e a morte de toda a comunidade.

A presença de estatuetas femininas (agora frequentemente acompanhadas de uma criança) aponta para a existência de cultos que se apoiavam no paralelismo entre a fertilidade feminina e a da terra. A julgar pela quantidade de utensílios e alimentos em diversas sepulturas, as cerimônias fúnebres e as homenagens aos mortos tornaram-se ainda mais complexas e de alguma maneira importantes para a comunidade como um todo.

Entre -7000 e -5000, na Ásia Ocidental, surgiram as primeiras ferramentas de cobre[2], trabalhadas da mesma forma que as de pedra, “a frio”. Um pouco mais tarde, com a descoberta das propriedas do cobre fundido, começou a fase tecnológica chamada pelos historiadores de Calcolítico (do gr. χαλκός, ‘cobre’), por analogia às palavras Paleolítico e Neolítico.

Nas regiões em que ocorreu, o Calcolítico coincidiu com o fim do Neolítico ou o início da Idade do Bronze. Devido à ocorrência rara de jazidas de metal, os instrumentos líticos ainda predominaram por um longo tempo, e as demais características do modo de vida neolítico não sofreram alterações relevantes.

Outras iluminuras

 
Instrumentos neolíticos de pedra polida.
Haifa, Museu Arqueológico do Grão
 
Arado egípcio.
In situ
 
Deusa-mãe, senhora dos animais.
Museu das Civilizações da Anatólia
 
Deusa-mãe e criança de Hacilar.
Museu das Civilizações da Anatólia
 
Jarro decorado com íbex.

Notas

  1. Revolução neolítica é uma expressão cunhada pelo arqueólogo inglês Vere Gordon Childe (1892/1957) para designar a fase da evolução cultural em que se deu a passagem do homem “de parasita a sócio ativo da Natureza”. Através do controle da reprodução e do desenvolvimento das espécies vegetais e animais mais importantes para sua sobrevivência, nossos ancestrais assumiram o controle da própria alimentação e deram um salto de grande amplitude.
  2. O cobre é um metal avermelhado e maleável que se funde à temperatura de 1083º Celsius e é encontrado na natureza sob a forma de filões e foi extensivamente utilizado no final do Neolítico e na Idade do Bronze das culturas da Ásia Ocidental e do Mediterrâneo Oriental.
    Imagem: cobre nativo de Michigan, EUA. Butte, Museu do Minério. James St. John, CC BY 2.0.

Créditos das ilustrações

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i0339Jarro decorado com íbex → Ver comentários.

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Artigo nº 0100
publicado em 11/02/1999.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Culturas neolíticas. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0100. Consulta: 28/05/2017.
 
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