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Esopo

 
Esopo (fl. séc. -VI ?)

Segundo a tradição, Esopo (gr. Αἴσωπος) era um ex-escravo procedente da Frígia, região que ficava na parte noroeste da Anatólia, e que viveu em meados do século -VI. Todos os dados que temos a seu respeito são incertos e, ironicamente, fabulosos.

Na realidade, as pequenas narrativas em prosa (gr. Λόγοι, lat. fabulae) que circulavam na Antiguidade sob o nome de Esopo são, na verdade, totalmente anônimas e muito, muito antigas.

Dentre as fábulas atribuídas a [Esopo], ditas "esópicas", cerca de duzentas e setenta chegaram até nós, e não sabemos se são as mesmas que circulavam no século -V. Mais ou menos duzentas e trinta foram reunidas em forma de coletânea nos séculos IV ou V e compõem uma coleção que os eruditos modernos chamam de Augustana; outras quarenta, aproximadamente, provêm de manuscritos diversos.

Em geral, a fábula de [Esopo] ou esópica começa pelo título, depois vem uma curta narrativa em prosa e, quase sempre, um epimítio. No epimítio o fabulista frequentemente apresenta aquilo que chamamos, na atualidade, de "moral da história". A fábula propriamente dita é constituída pela narrativa, sem dúvida a parte mais antiga do texto. É possível que os títulos e talvez até mesmo os epimítios tenham sido apostos posteriormente pelos editores antigos ou, eventualmente, pelos copistas dos manuscritos.

Os personagens são muito variados: homens e mulheres, personagens mais ou menos históricos, deuses e deusas, animais falantes — todos descritos de forma sucinta, porém muito viva.

Manuscritos, edições e traduções

As principais fontes para as fábulas esópicas são a "recensão I" e a "recensão Ia". A primeira, conhecida também por Augustana, baseia-se no manuscrito Monacensis 564 (sæc. XIV), cópia de coletânea efetuada originalmente no século IV ou V. Os originais da segunda remontam provavelmente aos séculos III/IV.

A edição princeps de [Esopo] é a de Bonus Accursius, publicada em Milão em 1474; a Aldina saiu bem mais tarde, em 1505. Fábulas de Esopo é um dos textos gregos mais publicados de todos os tempos. Dentre as edições mais recentes, a de Schneider (1812) é importante, mas as de Chambry (1927) e de Perry (1952) são as mais completas e acessíveis. Muito útil e prática é a edição bilíngue de Loayza (1995), baseada em Chambry e Perry.

Em portugal, as mais antigas traduções do texto grego são as de Manuel Mendes da Vidigueira (1603; edição corrigida em 1672 por João Ferreira de Almeida) e de João Félix Pereira (1820); no Brasil, a edição mais antiga é a de Celeste Dezotti (1991, revisada e republicada em 2013), seguida pelas de Aveleza (2002) e de Nelson H.S. Ferreira (2013).

Leitura complementar brpt

Manuel Aveleza, As Fábulas de Esopo, Rio de Janeiro, Thex, 2002. Maria Celeste C. Dezotti, Esopo - Fábulas Completas, São Paulo, Cozac & Naify, 2013. Nelson Henrique S. Ferreira, Aesopica / a fábula esópica e a tradição fabular grega, Coimbra, CECH, 2013 [disponível on line]

Créditos das ilustrações

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Artigo nº 0008
publicado em 19/11/1997. Atualização: 23/12/2013.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Esopo. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0008. Consulta: 23/03/2017.
 
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